A eleição de 2026 é logo ali!
- Elis Radmann

- 18 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de jan. de 2025
É normal que uma eleição acabe, que as especulações de bastidores comecem e que os pré-candidatos ao próximo pleito se movimentem. Diante de um cenário de potencialização da polarização política e de ânimos acirrados a nível nacional, com investigações sobre tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, o jogo político está muito mais ativo do que o normal.

Mal a eleição municipal acabou e o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião já está realizando diferentes pesquisas de pós-eleição, sondando a imagem dos Prefeitos que saem, a expectativa com os Prefeitos que entram e, principalmente, investigando como o eleitor está se sentindo diante da chamada politização da justiça ou judicialização da política, que mantém a guerra ideológica acirrada, deixando ativos os argumentos e a agenda dos defensores do bolsonarismo e do lulismo, sinalizando a continuidade da polarização e do radicalismo político.
Quando se questiona a população sobre a movimentação política do cenário nacional, o eleitor mostra a sua indignação e a maioria afirma que se sente desprestigiada, com a sensação de que os políticos gastam mais tempo brigando entre si do que resolvendo problemas reais que afetam as cidades. A maioria acredita que as lideranças políticas deveriam trabalhar de forma alinhada, na construção de políticas públicas que melhorassem a qualidade de vida da população e ampliassem as oportunidades de desenvolvimento econômico, emprego e renda.
Mas, interessam para o jogo político as narrativas que estimulam a divisão de opiniões, mantendo a radicalização política e a tendência do comportamento eleitoral.
De um lado, os mais inclinados aos valores sociais e morais conservadores, ideologicamente mais à direita ou apenas fãs do ex-Presidente Jair Bolsonaro, consideram que ele tem sido vítima de perseguição política.
De outro lado, eleitores que se posicionam com valores mais liberais, que se classificam ideologicamente mais à esquerda ou gostam do Presidente Lula, defendem a punição severa dos envolvidos na tentativa de golpe.
Enquanto esse impasse não é resolvido, nos bastidores da política gaúcha, partidos como o PT e o PL já sinalizam seus pré-candidatos e começam a organizar as articulações políticas, mapeando a tendência do eleitor e construindo seu posicionamento. Por outro lado, o governo trabalha para ampliar as suas políticas e construir espaço para a continuidade, em um cenário em que o eleitor está sendo obrigado a se comportar como um torcedor de time de futebol, escolhendo um lado.
Neste jogo de forças, as pesquisas indicam que, neste momento, o eleitor não quer saber do cenário de 2026 e relata o seu desconforto nas pesquisas de opinião. Se o eleitor tiver que escolher um lado, irá fazê-lo por força das circunstâncias, mas essa não é a sua tendência natural. O que o eleitor mais quer é menos política e mais ação, menos ideologia e mais trabalho.
O texto não reflete, necessariamente, o pensamento/opinião do Mulheres políticas.

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS. Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do RS. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no RS. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do Estado.








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