Jovens pensam em uma vida com menos internet
- Elis Radmann

- 26 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de mai. de 2025
O desafio é ficar longe do celular por 24 horas. Mas como incentivar jovens e
adolescentes a se afastarem da internet? Essa inquietação está presente no cotidiano das
famílias em diversas partes do mundo.

E o tema é cada vez mais sério. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking dos
países onde a população passa mais tempo em frente às telas. Uma pesquisa realizada
pela Electronics Hub identificou que os brasileiros interagem, em média, 54% do dia com
dispositivos eletrônicos, o que representa aproximadamente 9 horas diárias: é muito
tempo conectado!
Desde 2013, com a massificação dos smartphones, pesquisas qualitativas
realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisa de Opinião vêm identificando a crescente
dependência dos usuários. Eles se conectam para usufruir dos benefícios da tecnologia,
mas acabam sendo conduzidos pelo algoritmo a permanecer online sem perceber os
malefícios.
Não podemos esquecer que os algoritmos das redes sociais analisam
comportamentos e preferências para recomendar conteúdos altamente relevantes,
criando um ciclo contínuo de estímulo. Recursos como notificações, rolagem infinita e
recompensas sociais (curtidas, comentários) ativam mecanismos psicológicos que
incentivam a permanência online.
Novos estudos de institutos de pesquisa europeus indicam que quase metade dos
jovens da Europa gostariam de viver em um mundo sem internet. Quatro em cada dez
jovens declararam que costumam mentir para os pais sobre o que acontece na web e um
terço afirma que finge ser outra pessoa na internet.
Metade dos jovens acredita que deveria haver um toque de recolher digital para
limitar o acesso a aplicativos e sites após as 22 horas. Isso demonstra que parte deles já
percebe os riscos da internet, especialmente em relação ao vício e ao isolamento que ela
pode causar.
Não é à toa que vêm crescendo os movimentos na Europa para reduzir a
exposição dos jovens à internet. O objetivo é preservar a privacidade e a qualidade de
vida, especialmente no que diz respeito à saúde mental. Nesse contexto, a tendência de
uma vida mais desconectada está sendo incentivada por iniciativas como o Offline Club
(https://www.theoffline-club.com/), que busca ajudar jovens a substituir o tempo de tela
por momentos de interação na vida real. As reuniões de detox digital ocorrem em formato
de eventos, proporcionando diversas atividades e interação. É um espaço onde os jovens podem desacelerar, ler um livro, jogar um jogo de tabuleiro, conversar, dar risada ou até
mesmo paquerar, experiências únicas que só o mundo real permite.
No Brasil, conseguimos a aplicação da Lei 15.100 de 2025, que restringe o uso do
celular em sala de aula e visa proteger o bem-estar e o desenvolvimento físico e mental
dos alunos, além de melhorar o ambiente escolar, reconectando professores e
estudantes.
Manter os estudantes desconectados em sala de aula tem sido um bom começo
para que outros projetos de interação social no mundo real, tão necessários para garantir
uma vida mais humanizada, se fortaleçam.
O texto não reflete, necessariamente, o pensamento/opinião do Mulheres políticas.

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS. Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do RS. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no RS. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do Estado.








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