Comunicação Intencional: o que diferencia quem fala de quem realmente influencia
- Lu Rodrigues

- 14 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Pense em alguém que você considera que fala bem.
Agora me diga: por que você acredita que essa pessoa fala bem? Se a resposta for “porque ela fala bonito”, este artigo é para você.
Porque, deixa eu te contar uma coisa: falar bonito não é sinônimo de comunicar bem.
Quem vive de comunicar e de liderar já sabe: o que move não é o discurso, é a intenção.

Provavelmente você já viveu isso: colocou esforço em orientar, conduzir, explicar… e, mesmo assim, o resultado não correspondeu às expectativas. O clássico “não estou sendo compreendido” ou ainda “não estão vendo o meu valor”.
Pois é, o que faltou foi ela de novo: a intenção.
Para ficarmos na mesma página, pense na Comunicação Intencional como o ponto de encontro entre o que se diz e o que se constrói de fato.
É o olhar antes da fala, a pausa antes da resposta, o porquê por trás de cada palavra. A rota bem desenhada, o planejamento vivo, o posicionamento sendo erguido dia após dia.
Parece cansativo ter que colocar esforços em algo tão intangível, mas eu te garanto: quando sabemos o porquê fazemos o que fazemos, as coisas passam a fazer mais sentido, para nós e para os outros.
Tenho segurança em afirmar que até ficam mais leves. E quem não quer ter mais leveza e segurança no que fala sobre si no dia a dia?
Em outras palavras, é quando a comunicação deixa de ser um ato automático e se torna uma ação estratégica, emocional e coerente.
Te faço um convite antes da próxima fala
Respira.
Antes de sair falando, se pergunta: o que eu quero provocar no outro com essa fala?
O que eu quero que fique, que permaneça, que ecoe depois que eu parar de falar?
Como quero ser lembrado(a) quando a conversa terminar?
Essas perguntas simples mudam tudo.
Elas fazem a comunicação deixar de reagir e começar a construir.
Entre o dizer e o fazer: o que realmente constrói reputação
Bem, se visibilidade é aparecer, reputação é permanecer. É o que se sustenta no tempo.
Uma prefeita pode fazer cem lives.
Uma executiva pode publicar dez posts por semana.
Mas se cada fala não estiver alinhada a um propósito claro, a percepção pública se fragmenta.
Nada fica. Resultado: zero.
E todo o esforço de comunicação vira ruído.
E, convenhamos, ninguém confia em quem parece falar muito, mas diz pouco. Perde-se credibilidade.
A comunicação intencional segue na direção oposta. Em vez de amplificar o barulho, ela organiza o sentido.
A palavra deixa de existir apenas para preencher o vazio e passa a ter função: conectar, inspirar, posicionar.
Liderar é também comunicar, e não só com palavras
Todo líder é, antes de tudo, um comunicador.
Mesmo o mais tímido. Mesmo o que “não gosta de câmera”.
A presença de um líder, seja num vídeo, numa reunião ou numa tribuna, comunica antes da fala. É o tom de voz que gera confiança, o olhar que demonstra escuta, o gesto que valida empatia.
E, claro, o silêncio. Porque até o silêncio comunica. Às vezes, mais do que aquele release bem estruturado e enviado em quantidade para a imprensa.
Entre líderes políticos, isso se intensifica. Não basta ter boas ideias, é preciso fazer as pessoas acreditarem nelas. E isso só acontece quando há coerência entre o discurso público e a verdade íntima.
A boa comunicação política não nasce do improviso. Ela nasce da clareza emocional e da coerência. É saber o que se quer gerar no outro: confiança, esperança, pertencimento.
Quando a intenção é clara, a mensagem encontra seu destino
Um líder que fala com intenção não tenta convencer, ele convida à reflexão.
Uma marca que comunica com intenção não tenta agradar, ela gera identificação.
É a médica que explica com calma.
A prefeita que assume um erro em vez de justificar.
A CEO que prefere uma boa pergunta a uma resposta pronta.
Todos têm algo em comum: sabem o que querem provocar no outro. E essa é a diferença entre quem fala e quem realmente influencia.
No fim das contas, comunicar com intenção é sobre humanidade. Sobre lembrar que, antes dos algoritmos, o que move o mundo ainda são pessoas. E que reputação é o rastro emocional que deixamos nelas depois que saímos da sala.
O texto não reflete, necessariamente, o pensamento/opinião do Mulheres Políticas.

Luana Rodrigues é publicitária e fundadora da AOUM – Comunicação Intencional, atua há mais de 20 anos em comunicação pública, institucional e política. Formada em Comunicação Social pela UFRGS, é palestrante e consultora, com MBA em Marketing Estratégico (ESPM) e em Gerenciamento de Projetos (USP/Esalq), especialização em Psicologia Positiva (PUC/RS) e estudos em Psicanálise (Instituto ESPE). Também é host do podcast “Mulheres Políticas”, disponível no YouTube e Spotify, e participa ativamente de fóruns de discussão e aprendizado.








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