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Um líder melhor: menos ruído, mais resultado

  • Foto do escritor: Lu Rodrigues
    Lu Rodrigues
  • 13 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Pega um café e vem comigo: essas ideias podem melhorar a sua rotina. Liderar é levar pessoas aonde elas não chegariam sozinhas. Para isso, não bastam discursos longos, manuais detalhados ou valores colados na parede. O que realmente importa é mensagem clara, estratégia definida, escuta genuína e a escolha consciente dos papéis que você assume diante da equipe.

Se isso fez sentido para você, siga comigo. Este texto é sobre transformar a famosa “espuma” em resultado.

Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

Todos reconhecemos um bom líder quando o encontramos. Mas cair na armadilha de definir o “líder perfeito” é perder tempo: liderança é sempre contextual. Não confunda posição com desempenho. A hierarquia garante autoridade formal, mas não garante liderança real. O que funciona num time técnico pode fracassar em outro sob alta exposição política. Ainda assim, líderes eficazes compartilham algo em comum: um porquê definido, um como coerente e mensagens simples. Quem já leu Simon Sinek sabe do que estou falando.

Vivemos cercados de mensagens: posts, áudios, reuniões, relatórios. Estamos mergulhados na economia da atenção, em que disputar segundos de foco virou regra do jogo. Só que comunicação não é falar mais, é produzir sentido. Só é comunicação de verdade quando serve a um objetivo, alcança o público certo, no canal adequado e no tempo exato. O resto é interferência.

E já que estamos falando sobre isso, vale explicar: Daniel Kahneman, Olivier Sibony e Cass Sunstein chamam de “ruído” a variabilidade indesejada no julgamento. Já estive em reuniões em que três líderes davam três respostas diferentes à mesma pergunta, e quem pagava a conta era a equipe, perdida em retrabalho e desalinhamento. O ruído aparece quando o objetivo é nebuloso e as decisões saem erráticas; quando a mensagem se arrasta e o foco se perde; quando o canal escolhido não engaja; quando o timing é ruim e provoca resistência; quando não há feedback e os mesmos erros voltam como um déjà vu. No fim, o ruído não é só falha de comunicação, é custo invisível: corrói confiança, drena energia criativa e sabota resultados.

Na política e no mundo corporativo, não é raro encontrar líderes que falam muito e dizem pouco. O discurso, em vez de criar laços, vira cortina de fumaça que encobre a falta de direção. É a palavra esvaziada de sentido, inflada pela idealização e pela necessidade de ocupar o silêncio. Só que é justamente no silêncio que a verdade aparece. Liderar não é preencher espaços com fala, mas sustentar a palavra que organiza, dá nome e move.

O que falta na maioria das equipes, e isso vejo com frequência nas mentorias, não é técnica. Competência se aprende. O que realmente escapa é a nitidez do raciocínio, a precisão dos objetivos, a simplicidade da forma, a escuta genuína e o uso certo do canal. Quando isso falha, a comunicação vira loteria. E quando a comunicação se torna sorteio, a cultura se fragiliza: decisões se perdem em vaivéns intermináveis, conflitos crescem por mal-entendidos, talentos se desmotivam por não enxergarem propósito. Equipes adoecem não pelo excesso de trabalho, mas pelo desgaste de não saberem para onde estão indo ou quais critérios sustentam as escolhas. A ausência de clareza não apenas atrasa resultados, ela corrói confiança, e confiança, uma vez abalada, exige muito mais do que técnicas de gestão para ser reconstruída.

Comunicação eficaz não é mistério, é disciplina.

Pede clareza: um objetivo por mensagem.

Pede coerência: o que se diz precisa caber no que a empresa é e faz.

Pede consistência: repetir o essencial até fixar, variando apenas o formato.

Pede cuidado: regular os afetos do time, como ansiedade e defensividade, para abrir espaço à escuta.

E pede coragem: dizer “não” quando necessário, ajustar rotas, dar consequências e sustentar decisões.

Há uma regra de ouro que resume tudo: mensagem sem destinatário e sem prazo não é comunicação; é apenas desejo.

No fim, liderança não é destino, é jornada, e se materializa na qualidade das conversas que você promove. Quando os papéis são bem escolhidos, o propósito é claro e a escuta se torna ritual, o ruído diminui, as decisões aceleram e a cultura se fortalece.

Comunicar bem não é falar mais, é falar o que movimenta. O resto é barulho.



O texto não reflete, necessariamente, o pensamento/opinião do Mulheres Políticas.

Lu Rodrigues. Mulheres Políticas.

Luana Rodrigues é publicitária e fundadora da AOUM – Comunicação Intencional, atua há mais de 20 anos em comunicação pública, institucional e política. Formada em Comunicação Social pela UFRGS, é palestrante e consultora, com MBA em Marketing Estratégico (ESPM) e em Gerenciamento de Projetos (USP/Esalq), especialização em Psicologia Positiva (PUC/RS) e estudos em Psicanálise (Instituto ESPE). Também é host do podcast “Mulheres Políticas”, disponível no YouTube e Spotify, e participa ativamente de fóruns de discussão e aprendizado.


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