A escassez de atenção está esvaziando o pensamento crítico
- Lu Rodrigues

- 11 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Vivemos a era da abundância de estímulos e da escassez de atenção.
Nossos dias estão mergulhados em rolagens infinitas, fisgados por vídeos curtos e atravessados por múltiplas telas que fragmentam a nossa capacidade de foco. A expressão brain rot — eleita Palavra do Ano de 2024 — não é um exagero. É o diagnóstico de uma cultura de aceleração que esgota a mente antes mesmo que possamos elaborar o que recebemos.

Essa lógica ultrapassa o campo pessoal. Afeta a forma como formamos vínculos, tomamos decisões e construímos sentido, seja na política, no consumo, nas relações ou na maneira como reputações são construídas e sustentadas.
O perigo não está apenas na quantidade de informações. O risco real está na perda da capacidade de processar e metabolizar essas informações com profundidade.
Quando não há espaço psíquico para elaborar, o sujeito se defende: ou reage de forma automática ou adere a narrativas prontas. É o funcionamento da defesa psíquica traduzido em comportamento social: respostas apressadas, certezas frágeis, polarizações superficiais. E nesse movimento, líderes, marcas e instituições também são afetados, pois reputação não se constrói no volume, mas na coerência e consistência ao longo do tempo.
Mas há outro caminho. E ele exige o resgate de práticas que, embora simples, tornaram-se quase contraculturais:
A escuta ativa — que sustenta o silêncio necessário para compreender antes de responder.
A leitura de contexto — que percebe não apenas o que é dito, mas também o que está ausente, o que é evitado, o que ainda não foi nomeado.
A construção conjunta — onde diferentes perspectivas dialogam, tensionam e ampliam as soluções, ao invés de disputarem razão.
A profundidade exige método.
Respeitar o tempo de maturação de uma análise é, em essência, respeitar a complexidade do outro, do contexto e de si mesmo. Fazer as perguntas certas, e, claro, suportar o tempo necessário até que elas encontrem suas respostas, é o que diferencia decisões frágeis de posicionamentos sólidos.
Em tempos de excesso, a verdadeira liderança, pública, corporativa ou institucional, será exercida por quem sustentar a capacidade de ver o todo, sustentar o diálogo e construir sentido com lastro, e não com ansiedade.
Porque, ao fim, não serão lembrados os que disseram mais.Serão lembrados os que sustentaram o essencial com coerência. Mesmo quando o mundo pedia pressa.
O texto não reflete, necessariamente, o pensamento/opinião do Mulheres Políticas.

Luana Rodrigues é publicitária e fundadora da AOUM – Comunicação Intencional, atua há mais de 20 anos em comunicação pública, institucional e política. Formada em Comunicação Social pela UFRGS, é palestrante e consultora, com MBA em Marketing Estratégico (ESPM) e em Gerenciamento de Projetos (USP/Esalq), especialização em Psicologia Positiva (PUC/RS) e estudos em Psicanálise (Instituto ESPE). Também é host do podcast “Mulheres Políticas”, disponível no YouTube e Spotify, e participa ativamente de fóruns de discussão e aprendizado.








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