Bandeira não é Posicionamento: o equívoco que pode custar caro – e o que líderes podem aprender disso.
- Lu Rodrigues

- 1 de jan. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 28 de jan. de 2025
No calor das eleições de 2024, surgiu um alerta durante uma conversa com as candidatas do grupo Mulheres Políticas: a confusão entre “bandeira” e “posicionamento” na comunicação política. Embora pareçam sinônimos, esses conceitos são muito diferentes – e ignorar essa diferença pode resultar em estratégias inconsistentes e custar caro para quem deseja liderar de forma sólida e autêntica.
Por que confundir “bandeira” e “posicionamento” pode ser um grande erro?

Para entender melhor, pense em “bandeira” como aquela causa ou tema específico que um líder abraça, como saúde, educação ou sustentabilidade. Já o “posicionamento” vai além, abrange uma arquitetura estratégica que define como você, enquanto candidato (ou líder), se apresenta ao público, destacando valores, propostas concretas e diferenciais que refletem a sua essência.
Quando alguém se apoia exclusivamente em uma bandeira, corre o risco de soar simplista ou raso. A causa pode até atrair um grupo inicial de apoiadores, mas não necessariamente estabelece uma relação profunda com a diversidade de eleitores. Em contrapartida, um posicionamento bem construído funciona como um plano de voo que orienta toda a comunicação e vincula a causa (ou bandeira) a uma identidade sólida e coerente.
O que é Posicionamento em Campanha Política (e como se aplica à Liderança)?
O posicionamento em uma campanha política – e, por analogia, em qualquer projeto de liderança – não se resume a levantar uma bandeira. Trata-se de uma estratégia multidimensional que equilibra:
1. Contexto social: Quais são as demandas e desejos do público que você pretende alcançar?
2. Necessidades reais: Onde e como suas propostas podem gerar impacto?
3. Nuances culturais: Quais valores locais, regionais ou nacionais influenciam as percepções e escolhas das pessoas?
4. Expectativas do eleitorado: O que o público espera de um candidato (ou de um líder) genuíno e confiável?
5. Autoconhecimento: Quem é você? Quais são suas crenças, seu histórico, suas fortalezas?
Em suma, o posicionamento funciona como um ecossistema, que integra quem você é, o que você defende e como isso impacta o mundo ao seu redor. Ele exige método, planejamento estratégico, autoconhecimento e inteligência de mercado.
Elementos Essenciais de um Posicionamento Eficaz
Para que a estratégia de posicionamento gere resultados e consolide uma liderança respeitável, vale observar quatro pilares:
1. Conhecer o seu público
Parece óbvio, mas é justamente o ponto de partida. Entenda as características demográficas e psicográficas das pessoas que você deseja impactar. Não se trata apenas de coletar dados, mas de ouvir atentamente o que essas vozes dizem e interpretar seus anseios.
2. Definição de Propostas
Propostas claras, realistas e alinhadas às necessidades do público formam a base de um posicionamento de sucesso. É aqui que se criam planos concretos que podem ser efetivamente colocados em prática.
3. Diferenciação
Em um cenário competitivo, destacar-se é obrigatório. O que torna você (ou seu projeto) único? Como a sua experiência e trajetória podem criar laços duradouros com quem o segue? A diferença genuína é o que cria conexões verdadeiras e faz com que você seja lembrado na hora da decisão do voto (ou de uma escolha no mundo corporativo).
4. Coerência e Autenticidade
De nada adianta um discurso incrível se a prática não condiz com as palavras. A confiança nasce onde há coesão entre o que se fala e o que se faz. Além disso, a autenticidade reflete a própria essência do líder, algo que não pode ser imitado nem ensaiado. Quem atinge esse nível constrói credibilidade e deixa um legado duradouro.
Credibilidade: o ativo valioso de uma liderança de sucesso
Quando um político (ou qualquer líder) consegue unir experiências passadas com promessas futuras de maneira honesta e transparente, ele conquista não apenas votos, mas o coração e a confiança das pessoas que o seguem. O resultado? Uma trajetória sólida, que vai além de uma eleição pontual e se torna base para uma liderança respeitada e influente.
Estudos mostram que o primeiro contato do público com um candidato ou líder marca profundamente a percepção que se terá dele no futuro. Por isso, é fundamental que essa comunicação inicial seja verdadeira, consistente e capaz de transmitir quem você é – não apenas sua bandeira.
Quem deseja alcançar resultados significativos no cenário político ou em qualquer espaço de liderança precisa entender a diferença entre bandeira e posicionamento. Não se trata apenas de abraçar uma causa específica; mas sim, de estruturar uma mensagem coerente, autêntica e estrategicamente preparada para o contexto em que se atua.
Ao dominar as nuances do posicionamento, você melhora sua comunicação, constrói relacionamentos profundos e estabelece uma reputação de liderança que pode influenciar positivamente não apenas eleições ou projetos imediatos, mas todo o futuro de sua trajetória. Afinal, bandeiras podem até despertar paixões momentâneas, mas é o posicionamento que sustenta, transforma e cria conexões verdadeiras.
O texto não reflete, necessariamente, o pensamento/opinião do Mulheres Políticas.

Luana Rodrigues é publicitária e fundadora da AOUM – Comunicação Intencional, atua há mais de 20 anos em comunicação pública, institucional e política. Formada em Comunicação Social pela UFRGS, é palestrante e consultora, com MBA em Marketing Estratégico (ESPM) e em Gerenciamento de Projetos (USP/Esalq), especialização em Psicologia Positiva (PUC/RS) e estudos em Psicanálise (Instituto ESPE). Também é host do podcast “Mulheres Políticas”, disponível no YouTube e Spotify, e participa ativamente de fóruns de discussão e aprendizado.








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